Martin Waldseemüller e a América

Martin Waldseemüller (ou Martinus Walzenmüller) nasceu em Radolfzell, Württemberg, na Alemanha, cerca de 1470. Foi educado em Freiburg im Breisgau. Em 1506, mudou-se para Saint-Dié, Lorraine (atualmente na França), onde, em 1507, publicou seu monumental planisfério do mundo, a primeira publicação a indicar o nome America, também o primeiro a representar o mundo em dois hemisférios: ocidental e oriental.

Waldseemüller estudou teologia e tornou-se clérigo em Saint-Dié. Morreu provavelmente em 1522, deixando um legado monumental em cosmologia.

Era um cartógrafo de grande talento. Seu planisfério foi publicado inicialmente em 12 folhas, compilado segundo a tradição ptolomaica e adotando as descrições do Novo Mundo como indicadas por Américo Vespúcio. Esse precioso trabalho foi um sucesso na época, quando foram impressos mil exemplares.

Vespúcio participou, como coadjuvante, em pelo menos duas expedições ao Novo Mundo: a de Alonso de Ojeda (1499-1500), que percorreu territórios espanhóis da América Central e norte da América do Sul, e a de Gonçalo Coelho (1501-02), que explorou os territórios portugueses. Os principais textos sobre essas expedições são de Vespúcio, que tinha um dom especial para não mencionar outros protagonistas.

Vespúcio foi um entusiasta divulgador da ideia de que as terras descobertas eram, de fato, um novo continente. Colombo acreditava ter chegado às Índias. Cabral pensava ter descoberto uma ilha. É mesmo possível que Vespúcio, um homem culto, tenha sido o primeiro a perceber o fato.

Waldseemüller homenageou o navegador florentino em seu planisfério, seguindo a tradição da qual os nomes dos continentes referem-se a mulheres ou estão no feminino e atribuiu o nome America à parte sul do novo continente. Os territórios da América do Norte e Central eram domínio espanhol e tinham outros nomes.

O cartógrafo alemão era um intelectual para a época e participava de grupos de sábios do Gymnase Vosgien, em Saint-Dié, que contribuíram para a sua obra. Em seu livro Cosmographiae introductio, também de 1507, ele explica que Vespúcio havia descoberto a quarta parte do mundo. Tudo indica que ele conhecia as descobertas de Colombo e Cabral, entretanto, as cartas de Américo Vespúcio eram a melhor referência descritiva do Novo Mundo, na época, apesar de seus erros.

Apenas uma cópia do Planisfério de Waldseemüller, de 1507, sobreviveu aos nossos dias, pertencia a outro cartógrafo alemão: Johannes Schöner (1477-1547). Desde 2003, esse exemplar faz parte do acervo da Biblioteca do Congresso Estadunidense.

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Americo Vespucio

 

 

Martin Waldseemüller, pelo pintor francês Gaston Save (1844-1901), para decorar o antigo teatro de Saint-Dié-des-Vosges.

 

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O Planisfério de Waldseemüller publicado em 12 folhas, em 1507. Original na Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

 

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O Planisfério de Waldseemüller apresenta pela primeira vez o hemisfério ocidental separadamente, com Américo Vespúcio ao seu lado. As terras da América do Norte são quase desconhecidas. Um fato interessante: a costa oeste da América do Sul tem um formato bastante próximo do real.

Outro fato intrigante é que a descoberta do Oceano Pacífico é usualmente atribuída ao explorador espanhol Vasco Núñez de Balboa, em 1513, mas Waldseemüller já o representa em 1507.

Em outro mapa de 1507, Johannes Ruysch também representa o atual Oceano Pacífico.

 

A AMERICA de Waldseemüller era só a América do Sul

Uma análise do Planisfério de Waldseemüller mostra que o topônimo AMERICA, colocado na atual América do Sul, possui a mesma expressão gráfica de outros topônimos que indicam terras da América Espanhola, ao norte. A conclusão é que a AMERICA de Waldseemüller aplica-se apenas à América do Sul ou parte dela.

O nome AMERICA foi removido em versões posteriores dos mapas de Waldseemüller. Talvez por ter percebido que Vespúcio foi, na verdade, um coadjuvante nas viagens ao Novo Mundo. Talvez por pressão da Espanha ou Portugal. Outros cartógrafos, entretanto (Johannes Schöner, em 1515, e Peter Apian, em 1520), passaram a adotar o nome América em seus trabalhos.

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Por Jonildo Bacelar